Osmolaridade urinária: valores normais, como calcular e interpretar
A osmolaridade urinária (na prática, a osmolalidade urinária, em mOsm/kg) mostra se o rim está diluindo ou concentrando a urina. Em adultos varia de cerca de 50 a 1.200 mOsm/kg conforme a hidratação, e na maioria das amostras fica entre 300 e 900. Abaixo de 100 a urina está máxima diluída; acima de 800, concentrada (ADH ativo). Ela é medida em osmômetro; só existem estimativas aproximadas.
O que é a osmolaridade urinária e para que serve?
Mede o número de partículas dissolvidas na urina (sódio, potássio, ureia, glicose e outros). Como o rim ajusta a diluição da urina pelo hormônio antidiurético (ADH), a osmolalidade urinária mostra se o rim está retendo água (urina concentrada) ou eliminando água (urina diluída). É pedida, junto com sódio urinário e osmolalidade sérica, na investigação de hiponatremia, hipernatremia, poliúria e suspeita de diabetes insípido.
Para a parte sérica do raciocínio, use a calculadora de osmolaridade sérica e gap osmolar.
Quais são os valores normais?
| Situação | Faixa típica |
|---|---|
| Amplitude fisiológica | 50 a 1.200 mOsm/kg |
| Amostra aleatória | 300 a 900 mOsm/kg |
| Após restrição hídrica de 12 a 14 horas | Acima de ~800 mOsm/kg |
| Após sobrecarga de água | Abaixo de ~100 mOsm/kg |
| Relação urina/plasma | 1 a 3 em amostra aleatória; ≥ 3 com antidiurese máxima |
Não existe um valor “normal” único: o exame só tem sentido quando comparado ao estado de hidratação, à osmolalidade sérica e ao sódio. Cada laboratório define a sua referência.
Como calcular a osmolaridade urinária?
O padrão é a medida direta em osmômetro de crioscopia. Não há equação que a substitua com precisão, mas duas estimativas aparecem na prática:
- Pelos solutos: 2 × (Na urinário + K urinário) + ureia urinária/2,8 + glicose/18 (eletrólitos em mEq/L; ureia como BUN e glicose em mg/dL). Ignora amônio, bicarbonato e outros ânions, e costuma subestimar.
- Pela densidade: cada 0,001 acima de 1,000 corresponde a cerca de 35 a 40 mOsm/kg. Perde a validade com glicosúria, proteinúria ou contraste iodado, que aumentam a densidade sem aumentar muito a osmolalidade.
A diferença entre a osmolalidade medida e a soma dos solutos principais é o gap osmolar urinário, usado como estimativa da excreção de amônio na acidose metabólica de ânion gap normal. Para o restante desse raciocínio, veja a calculadora de ânion gap.
Como interpretar: urina diluída, concentrada ou isostenúrica?
| Resultado | O que sugere |
|---|---|
| Menor que 100 mOsm/kg | ADH suprimido: polidipsia primária, baixa ingestão de solutos (dieta pobre em proteína e sódio, excesso de cerveja) |
| 100 a 300 mOsm/kg | Diabetes insípido central ou nefrogênico, sobrecarga de água, uso de diurético de alça recente |
| Cerca de 300 mOsm/kg (isostenúria) | Perda da capacidade de diluir e concentrar: lesão tubular, necrose tubular aguda, doença renal crônica |
| Maior que 500 a 800 mOsm/kg | ADH ativo: hipovolemia, insuficiência cardíaca, cirrose, SIADH, dor, náusea, fármacos |
Na hiponatremia: osmolalidade urinária abaixo de 100 sugere polidipsia primária ou baixa ingestão de solutos; acima de 100 indica ação do ADH, e o sódio urinário ajuda a separar hipovolemia, SIADH e uso de diuréticos. O passo a passo está no guia de hiponatremia.
Na hipernatremia ou poliúria: urina diluída (abaixo de 300) com sódio alto sugere diabetes insípido; urina concentrada (acima de 600) indica perda de água extrarrenal (insensível, gastrointestinal) com rim respondendo.
Quando se pede o teste de restrição hídrica?
Em poliúria persistente (acima de 3 litros por dia) com suspeita de diabetes insípido ou polidipsia primária, o teste de restrição hídrica mede a osmolalidade urinária ao longo de horas de privação de água, seguida de desmopressina para separar a forma central da nefrogênica. É um exame feito sob supervisão, porque a privação de água pode ser perigosa. Informação educativa: não faça restrição hídrica por conta própria.
A calculadora estima a osmolaridade do soro com sódio, glicose e ureia.
Abrir a calculadora de osmolaridade →
Perguntas frequentes
Qual o valor normal da osmolaridade urinária?
Em adultos, a osmolalidade urinária varia de cerca de 50 a 1.200 mOsm/kg conforme a hidratação; em amostra aleatória, 300 a 900 mOsm/kg é uma faixa comum. Depois de 12 a 14 horas de restrição hídrica, deve passar de cerca de 800 mOsm/kg. Use sempre a referência do laboratório.
Como calcular a osmolaridade urinária?
Ela é medida em osmômetro (crioscopia), não calculada. Uma estimativa grosseira soma 2 × (sódio + potássio urinários) + ureia/2,8 + glicose/18, em mEq/L e mg/dL, mas ignora amônio e outros solutos e erra com frequência. A densidade urinária dá só uma ideia: cada 0,001 acima de 1,000 equivale a cerca de 35 a 40 mOsm/kg.
O que significa osmolaridade urinária baixa?
Abaixo de 100 mOsm/kg indica urina máxima diluída, com ADH suprimido: polidipsia primária ou baixa ingestão de solutos. Entre 100 e 300 pode ocorrer no diabetes insípido central ou nefrogênico e na ingestão excessiva de água. Interprete junto com a osmolalidade e o sódio do soro.
O que significa osmolaridade urinária alta?
Acima de 500 a 800 mOsm/kg, a urina está concentrada: ADH ativo por hipovolemia, insuficiência cardíaca, cirrose, SIADH, dor, náuseas ou fármacos. Com sódio sérico baixo, mostra que o rim não consegue excretar água livre.
Qual a diferença entre osmolaridade sérica e urinária?
A sérica mostra a concentração de partículas no plasma (275 a 295 mOsm/kg) e é bem regulada. A urinária mostra a resposta do rim, que pode ir de 50 a 1.200: o rim dilui ou concentra para manter a sérica estável. A comparação das duas é a base da investigação de hiponatremia e hipernatremia.
O que é isostenúria?
É a urina com osmolalidade parecida com a do plasma (cerca de 300 mOsm/kg, densidade em torno de 1,010), sem capacidade de diluir nem de concentrar. Aparece na lesão tubular, como na necrose tubular aguda e na doença renal crônica avançada.
Osmolaridade urinária e osmolalidade urinária são a mesma coisa?
Na prática clínica, sim: o exame mede osmolalidade (osmoles por kg de água, em mOsm/kg), embora muita gente diga osmolaridade. Em urina os valores são próximos, mas não idênticos; o laudo informa a unidade usada.
Referências
- Spasovski G, et al. Clinical practice guideline on diagnosis and treatment of hyponatraemia. Eur J Endocrinol. 2014;170:G1–G47.
Esta fonte dá suporte a: Estrutura da diretriz europeia para avaliação e tratamento da hiponatremia. - Verbalis JG, et al. Diagnosis, evaluation, and treatment of hyponatremia: expert panel recommendations. Am J Med. 2013;126(10 Suppl 1):S1–S42.
Esta fonte dá suporte a: Recomendações de painel de especialistas para diagnóstico e manejo da hiponatremia. - Halperin ML et al. The urine osmolal gap: a clue to estimate urine ammonium in “hybrid” types of metabolic acidosis. Clin Invest Med. 1988;11:198–202.
Esta fonte dá suporte a: Definição e uso semiquantitativo do gap osmolal urinário como estimativa de amônio e ânions orgânicos. - Bhasin B, Velez JCQ. Evaluation of polyuria: the roles of solute loading and water diuresis. Am J Kidney Dis. 2016;67:507–511.
Esta fonte dá suporte a: Abordagem da poliúria para diferenciar diurese por solutos de diurese aquosa.